Um Quase Amor

sábado, outubro 14, 2017

Interpretação do filme Mãe!

21:39 0
Interpretação do filme Mãe!
Hello pessoas, tudo bem? Eu estou plenamente bem. 

Essa semana eu fiz algo que não fazia há algum tempo: fui ao cinema ver um filme. O escolhido da vez foi "Mãe!", e lhes trago hoje uma interpretação pessoal do filme. Lançado em outubro de 2017, Mãe! foi dirigido por Darren Aronofsky (o mesmo diretor de "Cisne Negro"), e retrata a vida de uma mulher (interpretada por Jennifer Lawrence), que reside com seu marido escritor, em uma casa tranquila no meio do nada. Até aí tudo bem. Parece apenas mais uma história clichê: um marido ausente, que se dedica mais ao trabalho do que a esposa, porém conforme o decorrer das cenas, o espectador passa a se perguntar "o que tá acontecendo?". Depois de uma visita inesperada, toda a paz e tranquilidade começa a ruir, e o rumo da história muda completamente.
CONTÉM SPOILER. 
LEMBRANDO QUE ESSA É MINHA INTERPRETAÇÃO.

A quantidade enorme de referências externas acabam causando confusão e estranhamento, principalmente para espectadores acostumados com conteúdo "mastigado", porém é genial.

A trama desenrola diversas interpretações diferentes. Uma delas está centrada no papel da mulher perante ao homem. Nesse sentido, temos dois viés diferentes: um deles onde a mulher exerce a função central na casa, pois um lar sem uma mãe, uma mulher, não tem como sobreviver. O coração da casa pulsa apenas quando ela está presente (isso explica o coração batendo internamente nas paredes). É a mãe quem revitaliza o lar, reconstrói, cuida e dá amor de uma maneira incondicional. O outro caminho está intrinsecamente ligado ao primeiro: a mulher vista apenas como um complemento ao homem, com a função de cuidar do lar e procriar, tendo que ser submissa, vivendo trancada em casa. Uma visão machista, porém ainda bastante presente na sociedade em que vivemos.

Também temos o remédio que a protagonista toma várias vezes quando se sente "desconectada" ou "perturbada". Poderíamos considerar que ela sofre de depressão, e que aquele negócio amarelo que ela toma seria algo para curar esse estado de insatisfação com a vida que leva, pois ela nem sequer sai de dentro da casa. 

No decorrer da obra também temos muitas referências bíblicas. Não entendi isso logo de cara, entretanto, lendo os créditos no final e revendo o filme, fica evidente em várias cenas: O homem que aparece na casa (cujo nome é Adão (vide créditos)); A mulher de Adão, chamada Eva (vide créditos), aparece logo depois que ele passa mal (e, se reparar, ele tem um machucado nas costelas, simbolizando a criação de Eva); Um filho matando o outro (Caim e Abel); As pessoas levando "oferendas" para ela (Jennifer Lawrence) quando seu filho nasce (alusão ao nascimento de Jesus); O marido pedindo para que ela perdoe; Ela (Jennifer) apanhando das pessoas (Maria Madalena), e sendo salva pelo marido; etc. 

Considerei ler diversas outras análises antes de começar escrever, e a que mais gostei foi a do Cine Pop (http://cinepop.com.br/qual-e-o-significado-biblico-por-tras-do-filme-mae-154928). Na análise deles, o filme seria uma metáfora para a criação do universo, e isso explicaria a alusão à bíblia. 


Eu considero outra ideia: a de que o filme é uma metáfora sim, mas para o amor, pois foi  com base nesse sentimento que tudo foi criado, não? (Até mesmo a bíblia poderia ser considerada uma grande história de amor). 

Continuando, ao meu ver, o poeta precisava de alguém para se inspirar, e ele consegue isso quando "rouba" o amor das mulheres. Porém, essa inspiração é temporária, pois ele começa a perder aos poucos o sentimento (o cristal quebrando em pedaços, que no final vemos que representa o amor), e precisa de outra pessoa para preencher esse vazio que vai surgindo em seu peito. 

Daí que ela fica grávida e ele, novamente, tem a inspiração que precisa para escrever, o que lhe traz uma legião de fãs. Entretanto, estamos falando de um escritor, um poeta, e o que move o mundo literário atual são as publicações. É aquele ditado: só é lembrado quem é visto; e assim que esse momento vai passando, que ela vai se afastando dele e cansando de dar tudo de si e não receber nada em troca, o escritor precisa encontrar outra coisa para se inspirar, buscando um novo alguém. E toda a história recomeça.


O mais bacana nesse filme, assim como em todos os filmes de Aronofsky, é que cada um terá sua própria ideia da obra, e isso que torna-a tão especial e apreciada. 

Concluindo, ao meu ver, toda a história se refere aos diferentes tipos de amor: O amor da mulher pelo lar, da Mãe pelo filho, da esposa ao marido, do escritor aos seus fãs, dos fãs ao escritor; enfim, todos são um mesmo sentimento, embora demonstrados de maneiras diferentes. E quanto às referências bíblicas estariam ligadas ao amor inicial, isto é, de onde surgiu o amor. 

Enfim, tem muitas cenas que dariam muito o que comentar, porém pararei por aqui. Para os cinéfilos de plantão, estejam avisados: o filme vai fazer vocês pensarem bastante. Vão ao cinema com a mente aberta e preparem-se para uma obra de arte cinematográfica incrível. 

quinta-feira, outubro 12, 2017

Nortes

23:01 0
Nortes
O norte é visto como a direção correta.

É para o norte que o pirata ansioso segue em busca do seu tesouro. É para o norte que a bússola aponta. Norte é o caminho que devemos seguir quando nos perdemos. Tudo sempre remete ao norte. Isso torna o Norte bem mais que uma localização, bem mais que um ponto de referência. O norte é nossa saída, nosso alicerce. Nossa âncora. No norte está a visão, o sentir. É o norte que perseguimos ansiosamente. 

Toda vez que penso nisso, lembro dos nortes da minha vida.

Meu primeiro norte está presente em teu sorriso. É para lá que eu vou quando estou triste. Esse norte virou meu lar, meu aconchego. Minha paz. A curva mais linda do universo são teus lábios estampando um sorriso terno. Mesmo em mar revolto, meu coração sempre busca por ele. Não pare de sorrir jamais, eu posso precisar de um cais para ancorar meu barco. 

O segundo norte que conheci foi teu abraço. Diferente de outros, ele não é nó. É laço. Me aquece, me protege do perigo. É meu ninho. É para ele que eu volto quando me perco no labirinto da vida. Ele é o caminho que sigo quando estou cega pela escuridão. Ele é minha luz no fim do túnel. É minha lua nas noites escuras.

Meu último norte sempre será teu coração. Ele que me acomoda, que me conforta e me deixa à vontade. Teu coração é onde eu faço minha residência fixa. Pago o aluguel te dando amor. Você costuma me deixar ficar. E eu não quero ter que ir embora. O espaço é pequeno, a cama é de solteiro e não tem janela, mas é como estar em casa. O lugar onde sinto que minha vida tem sentido. E quando estou perdida, é para dentro dele que sigo.

(FINAL ORIGINAL)

Gostaria de parar no tempo, e jamais ter que mudar de direção ou ter que aprender novos caminhos, mas parece que teu norte é diferente do meu. Aliás, você sempre preferiu seguir ao sul. Às vezes eu sinto que não tenho mais teu coração para morar, nem teu abraço para me aquecer, nem teu sorriso para me trazer paz. Já estivemos no mesmo caminho, no mesmo norte, porém agora seguimos em lados opostos.

Mesmo assim, você continua sendo o meu norte.

Sinto que preciso manter-me nessa direção. A direção certa.
Pode ser que tua bússola aponte para cá de novo um dia, e eu não quero que fique perdido.

(FINAL ALTERNATIVO)

No fundo eu sinto que nem sequer preciso de norte ou mesmo de direção alguma. Basta entrelaçar meus dedos aos seus e seguir sem rumo. Seja ao norte ou ao sul, contanto que estejamos juntos, não importa a direção, o sentido ou o tempo, só importa estar contigo.

domingo, outubro 01, 2017

Resenha A caminho de casa

13:16 0
Resenha A caminho de casa
FICHA TÉCNICA DO LIVRO

Autor(a): Radhanath Swami (Nome civil: Richard Slavin).
Título traduzido:A caminho de casa: Autobriografio de um Swami Americano.
Título original: The Journey Home: Autobiography of an American Swami.
Páginas: 372.
Ano de lançamento: 2010.
Editora: Coletivo Editorial.
Nota: 4.3/5.



Olá pessoal, tudo bem com vocês? Eu estou ótimo!

A leitura de hoje é muito especial para mim, pois é o primeiro livro que recebi da parceria feita com a editora "Coletivo Editorial". Confesso que fiquei muito indeciso sobre qual seria minha escolha de leitura, pois a Editora tem muitas publicações fantásticas. Por fim, decidi optar pelas dicas que eles próprios me enviaram, escolhendo "A caminho de casa". 

Para quem ainda não conhece, esse livro é a autobiografia de Radhanath Swami, que conta sua trajetória espiritual em busca do amor e da espiritualidade. Saindo de Chicago para as cavernas do Himalaia, Swami transmite, através de suas sinceras e humildes palavras, todo seu aprendizado como peregrino, envolvendo o leitor e imergindo-o numa história tocante e emocionante, na qual a busca incansável pelo EU espiritual é posto em evidência, fazendo com que cada frase do livro seja devorada por quem lê, nos colocando frente a nós mesmos, fazendo nos pensar "O que eu preciso para ser feliz?". 

Como eu havia aterrissado em uma vida tão estranha à minha 
criação, mas tão familiar à minha alma?
-(Prólogo, p. XVIII)

Quase sempre procuro algumas informações sobre o livro antes de iniciar a leitura, porém não fiz isso desta vez. Tinha certo receio de estragar toda a história com algum spoiler indesejado, e como nunca tinha lido nenhum livro no gênero autobiográfico, a leitura causou-me estranhamento no começo. Até mesmo para escrever a resenha, posterior à leitura, foi uma tarefa mais complexa do que geralmente é.

Por se tratar de uma autobiografia, fiquei sem expectativas e nem mesmo esperava fortes emoções. Estava com aquela ideia de senso comum: "é a vida real, não um conto de fadas". Entretanto, conforme o desenrolar dos capítulos, eu queria saber mais e mais do que viria à seguir. As palavras de Swami são tocantes e sinceras, e seu caminho como peregrino foi bem complexo e inspirador.

Dormir à beira de rios ou debaixo de árvores e pedir como esmola 
alguns grãos baratos para comer  - essa é a vida que eu havia escolhido.
-(p. 150).

O livro é bem tranquilo e rápido de ser lido, porém a carga de emoções e sentimentos que o autor transmite é bem carregada. Em alguns momentos, eu tive que parar a leitura para refletir sobre o que estava sentindo. Swami consegue irradiar toda a sua carga emocional ao leitor. Você sente o que ele sentiu. E isso causa muita confusão no início, mas depois de um pouco de reflexão, trás um sentimento de tranquilidade e paz interior.

Escute o que eu digo, não com os seus ouvidos, mas com o seu coração sensível: Cada homem escolhe o que ele acredita ser o caminho mais sagrado a ser percorrido em sua vida. Se um homem não segue aquilo em que acredita verdadeiramente, sua vida terá pouco sentido. 
-(p. 251).

Achei bem bacana a forma como Swami contou toda sua trajetória para tornar-se monge, porém alguns trechos acabam sendo um pouco monótonos. Às vezes ele fica preso demais a um acontecimento, às vezes foca pouquíssimo em outro, e isso deixa a leitura maçante. Óbvio que por ser autobiográfico, talvez aquele momento retratado pelo autor teve muito mais importância em sua jornada do que outros, então, paciência, né?!

Outra coisa que me chamou atenção na leitura foi a fidelidade com que são retratados os acontecimentos, sem ocultar as frustrações e medos do autor. Nem todas as autobiografias conseguem tal feito.

Quando ele contava a história de um lugar, era como se eu pudesse 
ver com meus próprios olhos o que ele descrevia. 
-(p. 311).

Aconselho a não julgar o livro pela capa, pois a capa deste não é nada atraente. Quando o peguei nas mãos fiquei pensando se deveria ou não ler, pois parecia ser péssimo. Porém, assim que iniciei a leitura, não queria mais parar. Todos os capítulos são muito bem estruturados e detalhados, "sugando" o leitor para dentro do acontecimento.

A fonte utilizada para impressão do livro cansa um pouco os olhos, mas tem um tamanho, razoavelmente, bom e, embora meio incômoda às vezes, não prejudica -tanto- o leitor.

Em linhas gerais, temos em nossas mãos uma leitura espetacular, cativante e inspiradora, que nos mostra o quanto a busca pela essência pode ser um caminho árduo e difícil, mas que cada gota de suor derramado é compensatória no final, pois estar frente a si é uma recompensa valiosa. E, acima de tudo, Swami nos permite sentir que encontrar o amor e a coragem dentro de nós mesmos é o primeiro passo para ser feliz.

quinta-feira, setembro 28, 2017

Amores que não deram certo

23:00 0
Amores que não deram certo
É provável que um dia você leia essas palavras, e não quer dizer que estará doendo menos.
Tenha passado um dia ou um mês, a dor continuará a mesma. Continuará residindo no meu peito como um pássaro no ninho.

Quem disse que o tempo cura as feridas deixadas por aquele que foi embora se enganou. O tempo não cura nada. Nenhuma dor abandona o nosso corpo. Nós é que nos acostumamos com ela.

É isso que o tempo faz. Acomoda a dor, e então ela vira parte de quem somos.

Fico pensando nos finais alternativos da nossa história, mas nenhum deles vai acontecer.
Você fez sua escolha. Partiu na madrugada. O véu fino da neblina e a escuridão noturna envolviam teu corpo, mas isso não te impediu de vagar rumo ao adeus, me deixando abraçado na solidão de um quarto frio pós-sexo.

Meu pobre coração insiste em lembrar da noite passada, dos toques. Do teu último beijo, me embriagando. E então hoje acordei nessa ressaca de amor não-correspondido. A dor de cabeça permanece, minhas costas arranhadas ainda queimam ao lembrar das tuas unhas afiadas cravando na pele macia e virgem, mas você não está mais aqui.

Não te culpo por escolher ir embora. É que alguns amores são assim mesmo: feitos para durar apenas uma noite. Porém, algo em tuas palavras me faziam acreditar que dessa vez seria diferente. Fui tolo.

Deveria ter percebido antes que ao olhar para ti não estava encarando o castanho dos teus olhos, mas sim o buraco negro vazio de um coração oco. 

quarta-feira, setembro 20, 2017

Perdoe-me por te amar tanto

23:02 0
Perdoe-me por te amar tanto
Tocou meu corpo com carinho. Me levou às estrelas. 
Deu-me um beijo quente e doce. 
Jurou me proteger e cuidar de mim. 
Me entreguei. Fui sua. 
Disse que te amava, que era o único para mim. 
Perdoe-me por te amar tanto assim. 
Eu não queria mais ninguém. Só você. Apenas você. 
Isso não bastou. 
Me usou. Bateu a porta na minha cara.
Foi embora. 
Cuspiu no prato em que comeu. 
Perdoe-me por te amar tanto assim.
Meu coração foi estilhaçado. 
A luz foi roubada de dentro da minha alma. 
Eu era azul, e me transformei num pedaço de carne desprovida de cores. 
Perdoe-me por te amar tanto assim. 
Os cacos de mim se perderam em tuas mentiras e nos teus beijos de traidor. 
Aquela garota que sonhava com as estrelas conformou-se com o rosto batendo na terra dura. 
O último abraço sugou minha luz. Me apagou na madrugada. 
Perdoe-me por te amar tanto assim.
Fui borboleta que teve as asas cortadas. Não consigo mais voar.
Te ver partir foi como morrer em vida.
Tudo que me resta são fragmentos de um passado que crio em mente, 
onde o real se mistura no imaginário.
E lembrar de ti é te perder todos os dias.
Perdoe-me por te amar tanto assim.
Minha mão fechada em volta do teu corpo não queria soltar.
As lágrimas escorrendo o castanho dos meus olhos. 
O sorriso amarelo virando apenas uma linha reta em meu rosto cansado. 
Não serei chata. Estou evitando pensar. 
Me diz, consegues dormir quando tua cabeça encosta no travesseiro? 
Pergunto isso, pois toda vez que fecho meus olhos vislumbro teu rosto.
E a noite vai me consumindo aos poucos e vira dia. E o dia passa despercebido. 
E então outra noite chega, e novamente acordada, imagino você batendo na porta. 
Perdoe-me por te amar tanto assim.
É que eu não sei me entregar aos poucos. 
Uma última pergunta. Foi fácil seguir em frente?
Se foi, me diz como? Pois parece que estou presa em uma ampulheta. 
O tempo congelou. 
Tudo que consigo fazer é reviver dias que não existem mais.
Jogar sal nas feridas que parecem não querer cicatrizar. 
Perdoe-me por te amar tanto assim. 
Saiba que, apesar de tudo, eu te perdoo.