Um Quase Amor

sexta-feira, agosto 11, 2017

Três de nós

23:12 0
Três de nós
Nessa cama estão três de nós. 

Três corpos nus. Expostos sob a luz do luar que adentra pela janela entreaberta, tremendo com o ar noturno que nos abraça. Sinto meu coração acelerado. Prazer, tesão e desejo se mesclam. Vejo-os trocando olhares e me sinto um invasor. Besteira. Ambos pareciam precisar de mim. Pareciam precisar do meu corpo para ajudá-los a acender novamente as chamas dos dois. O fogo dentro deles quase apagado. 

Não sei quem beijar. Não sei para onde olhar. É diferente. Estar com eles é como tentar encaixar as peças de um quebra-cabeça sem conhecer a figura que irá se formar. É complicado para mim. Toda vez que monto uma parte, a outra se desmonta. 

Mas então, eis que consigo, finalmente, peça por peça, organizar o desenho.


Meus gemidos quase inaudíveis pareciam satisfazê-los. Minha boca mordendo a orelha de um enquanto minhas mãos tateiam o corpo do outro, pareceu funcionar. E embora estejamos todos numa sintonia diferente, sinto que o objetivo da minha presença está quase concluído.
  
Juntos, nós três, em gemido uníssono, fartamente se deliciamos com um orgasmo. 

Mas então o clima acaba. O calor que emanávamos segundos atrás vai enfraquecendo, enquanto o corpo esfria. Não espero por um abraço. Não espero por um beijo de boa noite. Tudo que faço é juntar minhas roupas e me encolher no sofá da sala.

Depois que o luar desaparecer e a luz do sol atravessar pelas frestas da cortina, irei embora. Mas não os dois. Eles continuarão lá. Naquela cama. Deitados. Fazendo cafuné no cabelo. Amando. 

Após os gemidos, arranhões e beijos, naquela cama, onde na noite anterior existiam três de nós, restarão apenas dois. 

O "um mais um" deles continuará sendo dois. Eu fui apenas um adorno. Alguém que foi descartado quando já não tinha mais utilidade. Um objeto usado para satisfazer. 

Tolo eu por pensar que algo mais surgiria de uma simples noite de prazer à três.  

Volto para casa com o corpo cansado. Sem café da manhã. Sem um "tenha um bom dia". Sem nada. Mas com certeza parte de mim ficará com ambos. Parte da minha vitalidade. Parte da minha luz. Parte do meu ser. Parte que jamais terei de volta. 

Parte essa que os trouxe de volta para a vida, enquanto levou a minha de mim.  


  

domingo, agosto 06, 2017

Ele é feito de amor

23:13 0
Ele é feito de amor
O brilho das estrelas talvez resuma ao menos um porcento do que é o brilho dos teus olhos. Olhar para elas desperta em mim um desejo de viver, de respirar, de voar; em teus olhos me perco da mesma maneira. É intenso, forte, brutal. São como dois buracos negros, que me tragam, na mesma medida em que parecem intragáveis. Estou em constante abdução, principalmente quando ouso mirar nesses dois pequenos oceanos azuis, localizados logo acima do seu nariz.

Ah, e teu sorriso... Que sorriso. Ele ilumina minha vida tanto quanto o sol ilumina a cidade num dia sem nuvens. Toda vez que você sorri uma flor brota no campo, um vaga-lume acende, um pássaro voa no céu; toda vez que você sorri um jardim inteiro floresce em meu corpo, meu coração dá saltos e cambalhotas. Me desfaço em teu sorriso. Viro fumaça. Desapareço. Te ver sorrir é como afundar num oceano de rosas vermelhas e azuis, e me permito afogar-me em ti toda vez que isso acontece. 

Pedaços de mim estão por toda parte. É isso mesmo, você me despedaça de todas as maneiras que pode.

Só de ouvir sua voz entro em paralisia total.

Não falarei de clichês, dizendo que sua voz parece um coral de anjos, pois a melodia que sai dos teus lábios vai além disso. Toda vez que fala comigo ouço violinos, pianos e flautas tocando uma música suave, harmoniosa e leve; sinto fogos de artifício estourando dentro do meu coração e borboletas preenchem todo o espaço oco do meu estômago. Ouvir sua voz faz minha alma desprender de mim e correr para ti. 


Você é meu universo, minha melodia, minha insônia, minha galáxia, meu coração. Você é meu tudo. Meu livro favorito é o que contêm tua história, minha música preferida é a que tu canta, meu gosto preferido é o do teus lábios. Tudo me remete a ti.  

Às vezes tenho dúvidas se é mesmo um ser da Terra. Com toda essa doçura e bondade, até parece ter vindo de outro planeta. 

Espero que um dia você seja meu, assim como já sou tua. 

Me tem nas mãos, garoto, nos pés, no coração; tem-me onde quiser.

Não te prometo o para sempre. Te prometo o meu agora.
Te prometo o meu presente.
E quanto ao futuro, bem, desbravaremos. Juntos. 

terça-feira, agosto 01, 2017

As duas formas de silêncio

14:13 0
As duas formas de silêncio
Existem duas formas de silêncio.

Uma delas é aquele silêncio quietinho. Tímido. Que se esconde atrás de armários e pilastras. É um silêncio doce e gentil, que aguarda sua vez de falar. Esse silêncio é inocente demais para fazer qualquer barulho. É um silêncio bem-vindo. Sua presença é necessária. Útil. Ele aparece em momentos precisos. Em momentos onde o olhar nos olhos já fala por si só. O toque fala por si só. E por isso esse silêncio se faz presente. Se aconchega. Aquece. Acolhe. Não está ali com maldade. Ele é suportável, necessário. Ele é um silêncio líquido. Passa suavemente entre os dedos. E engolimos sem medo.

Ele é aquele silêncio que aparece quando um amigo chora. Ele é um abraço apertado, mesmo sem tato. É um aperto de mão. É um cafuné atrás da orelha. Ele se adapta a situação. Ele é convidado. Ele é a demonstração de que palavras não precisam ser ditas naquele momento. Às vezes tudo é dito assim. Através dele. No leve e inocente silêncio. Esse silêncio é como o orvalho que cai sobre as flores numa manhã de inverno. Sereno. Suave. É tão leve quanto a luz. Quanto uma pena jogada ao vento. Quanto as ondas criadas por uma folha ao atingir a água de um riacho.


Porém, existe outro tipo de silêncio. Um silêncio devastador. Perturbador. Sufocante. É um silêncio que surge em momentos impróprios. Ele é o silêncio que necessita de palavras. É um silêncio gritante. Ensurdecedor. Sua presença é como uma corda no pescoço. Estrangula. Prende. Não deixa falar. Ele destrói. Afasta. Instaura a apatia no coração do outro. Ele é feito de orgulho. De indiferença. É um silêncio cruel, que se contenta com as lágrimas nos olhos. Ele é um silêncio sólido. Duro. Machuca. Desce arranhando.

Ele é aquele silêncio que tem medo de dizer. É um silêncio vendaval, que carrega para longe os bons sentimentos. É um silêncio malvado. Ele é um tapa na cara. Ele é o bater do dedinho na quina de um móvel. Ele é mordaça. Dói nos ouvidos quando ele está presente. Ele é um silêncio tão barulhento. Violento. Castigador. Ele é a resposta que não queremos ouvir. A verdade que entala na garganta. Ele é ácido que derrete e queima as entranhas. É tão pesado quanto um ambiente sem oxigênio. Tão pesado quanto chumbo. Tão doloroso quanto uma farpa na mão.

Cabe apenas a nós mesmos escolher qual deles usar. 

domingo, junho 25, 2017

Interesses não recíprocos

22:49 0
Interesses não recíprocos
A gente sempre se apaixona pela "pessoa errada". Quero dizer, o nosso interesse sempre vai de encontro ao desinteresse do outro. E isso é comum. Queremos o que não nos quer. Nos tornamos infelizes por pura e simples consciência. Gostamos de sofrer, essa é a verdade.

Às vezes somos babacas com pessoas que nos desejam por desejarmos outro babaca que não nos deseja, e provavelmente ele também deseja alguém que não o quer; e essa roda de pessoas vai ficando cada vez maior. Todos saem machucados, afinal.

Sem falar dos joguinhos emocionais que rolam em meio à tudo isso. É. Isso mesmo. A pessoa não te quer, mas fica com aquela típica enrolação. Acredito que faz isso para sentir seu ego inflado, ou para sentir-se bem, ou para que sua baixa auto-estima aumente. Ou por ser idiota mesmo.


Mas não é apenas isso. Muitas vezes a gente se rebaixa a nada. Por exemplo, você está numa festa e vê um cara lindo, com um sorriso encantador e pensa "puta que pariu, ele é demais pra mim". COMO ASSIM DEMAIS PARA VOCÊ? Você é uma pessoa. Uma pessoa com uma história, com uma vida. Uma pessoa que trabalha, que estuda, que ouve músicas, que lê. Que vive. Então esse negócio de "demais pro meu caminhãozinho" é pura e simples paranoia.

Todos temos algo que nos torna incríveis. Se ele não quiser ficar contigo, ou não te achar interessante, ou agir como um imbecil, meu amor, agradece e segue para o próximo. Não dá pra ficar sentindo culpa, vergonha ou qualquer outra coisa. Quem perdeu foi ele. Não você. Você ganhou. Sim. Ganhou.

Ganhou tempo. Ganhou coragem. Ganhou confiança. E mesmo tendo ganhado um fora também, bom, não dá pra levar todas né. Qual seria a graça?

Ah, e tem mais. Se o outro não é franco, seja você. Franca. Direta. Não fique de "mimimi". Quer conversar? Chega e diz. Quer beijar? Chega e diz. Não quer? Chega e diz, pois ficar "num chove e não molha" é meio inútil. Ah, e por falar em chuva, não confie em promessas, mas sim em atitudes. Ancorar seu barco em promessas é pedir para naufragar em desilusões.

Segue o farol do seu coração para fora desse caos. Poxa, você é F*DA pra CAR*LHO. NUNCA ESQUEÇA DISSO.

E mais uma coisa: às vezes esperar por alguém é o mesmo que esperar por chuva em meio ao deserto em tempos de seca, então. Né. A vida é uma só. Bora viver?!!!?!   

sábado, junho 24, 2017

A vida é um eterno -se- perder

21:07 0
A vida é um eterno -se- perder
Sinto falta de velhos amigos que sumiram com o tempo, sinto falta de pessoas que me ignoram, sinto falta dos dias em que escolher qual desenho assistir era minha única preocupação. Sinto falta de muita coisa, e parece que crescer é isso: um eterno perder. Perder pessoas para a distância, para o tempo, para outras pessoas.

Sempre me disseram que os ventos do tempo carregavam tudo. O problema é que nem mesmo o amor parece sobreviver à ele. 

Cada dia riscado no calendário parece ser um dia a menos para se viver, e o problema é que estou apenas sobrevivendo. Sofrendo por amores impossíveis, sofrendo de saudades que não são minhas, sofrendo por histórias irreais, que existem apenas na minha imaginação. Sofrendo por olhos que me olham, mas não me veem. 

Estou com medo. Com medo de ser machucada. Com medo de não ser boa suficiente, com medo de não ter tempo. Com medo de errar. E o medo parece que domina. Ele gruda na gente e não quer sair. O pior é saber que me conformo em deixa-lo ficar. Lutar contra ele parece impossível, e é algo que preciso fazer sozinha.

E me apaixono. Me apaixono pelos dias de sol entre nuvens. Me apaixono pelas sombras que entram pela janela do meu quarto. Me apaixono pelo mar, que leva e trás. Me apaixono por mim mesma. Me apaixono pelo silêncio. Me apaixono por ti.

Viajo em imaginação. Viajo em pensamentos. Viajo enquanto ando de bicicleta. Viajo enquanto leio. Viajo nos teus olhos, no teu sorriso. Viajo enquanto canto. Viajo enquanto cozinho. E gosto de viajar, me acalma e liberta. E viajando assim, sem sair do lugar, parece que estou sempre perdida. Perdida em meio ao caos. Em meio ao mundo. Em meio às pessoas. Em meio a solidão. Em meio a esse mundão gigante.

E cá estou eu, novamente, viajando no seu sorriso. Ah, se isso é estar perdida, eu não quero mais me encontrar.